Dom João, na Missa de Corpus Christi: "Cristo caminha conosco e nos conduz por caminhos seguros"



Em jubilosa comunhão com toda a Igreja, a Arquidiocese de Aracaju celebrou, nesta quinta-feira (16), a Festa de Corpus Christi, rendendo graças a Deus pelo inestimável dom da Eucaristia, fonte e centro de toda a vida cristã, na qual o próprio Senhor Jesus se dá como alimento de Vida Eterna. No espaço provisório da Catedral Nossa Senhora da Conceição, a primeira das três solenes celebrações programadas, às 8h, foi presidida pelo arcebispo metropolitano, dom João José Costa.


A Procissão com o Santíssimo Sacramento ocorre logo após a Santa Missa das 16h30, dentro de um curto itinerário por algumas ruas do centro da capital.


Em sua homilia, dom João assinalou que “o Cristo no ostensório, pelas ruas, representa esse Deus que caminha conosco, que nos conduz por caminhos seguros. Representa a presença de Deus conosco, o Emanuel, na caminhada desta vida. É um gesto simbólico, mas muito expressivo”.


Segundo o arcebispo, “não podemos ficar somente no gesto simbólico, ornamental". Para ele, "precisamos assumir a preparação de outros caminhos, o caminho do amor, da justiça, da solidariedade e da partilha, como ensina o Evangelho de hoje”. Sem essa conversão, enfatiza dom João, “qualquer celebração, por mais bonita que seja, perde o seu verdadeiro sentido”.


Com expressiva participação de fiéis, a Santa Missa foi concelebrada pelo padre Antônio Peixoto, pároco da Catedral de Aracaju.


Origem da Festa de Corpus Christi


A Festa de Corpus Christi surgiu no séc. XIII, na diocese de Liège, na Bélgica, por iniciativa da freira Juliana de Mont Cornillon, (+1258) que recebia visões nas quais o próprio Jesus lhe pedia uma festa litúrgica anual em honra da Sagrada Eucaristia.


Aconteceu que quando o padre Pedro de Praga, da Boêmia, celebrou uma Missa na cripta de Santa Cristina, em Bolsena, Itália, ocorreu um milagre eucarístico: da hóstia consagrada começaram a cair gotas de sangue sobre o corporal após a consagração. Dizem que isto ocorreu porque o padre teria duvidado da presença real de Cristo na Eucaristia.


O Papa Urbano IV (1262-1264), que residia em Orvieto, cidade próxima de Bolsena, onde vivia S. Tomás de Aquino, ordenou ao Bispo Giacomo que levasse as relíquias de Bolsena a Orvieto. Isso foi feito em procissão. Quando o Papa encontrou a Procissão na entrada de Orvieto, pronunciou diante da relíquia eucarística as palavras: “Corpus Christi”.


Em 11/08/1264 o Papa aprovou a Bula “Transiturus de mundo”, onde prescreveu que na 5ª feira após a oitava de Pentecostes, fosse oficialmente celebrada a festa em honra do Corpo do Senhor. São Tomás de Aquino foi encarregado pelo Papa para compor o Ofício da celebração. O Papa era um arcediago de Liège e havia conhecido a Beata Cornilon e havia percebido a luz sobrenatural que a iluminava e a sinceridade de seus apelos.


Em 1290 foi construída a belíssima Catedral de Orvieto, em pedras pretas e brancas, chamada de “Lírio das Catedrais”. Antes disso, em 1247, realizou-se a primeira procissão eucarística pelas ruas de Liège, como festa diocesana, tornando-se depois uma festa litúrgica celebrada em toda a Bélgica, e depois, então, em todo o mundo no séc. XIV, quando o Papa Clemente V confirmou a Bula de Urbano IV, tornando a Festa da Eucaristia um dever canônico mundial.


Em 1317, o Papa João XXII publicou na Constituição Clementina o dever de se levar a Eucaristia em procissão pelas vias públicas. A partir da oficialização, a Festa de Corpus Christi passou a ser celebrada todos os anos na primeira quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade.


Em muitos lugares criou-se o belo costume de enfeitar as casas com oratórios e flores e as ruas com tapetes ornamentados, tudo em honra do Senhor que vem visitar o seu povo. Começaram assim as grandes procissões eucarísticas, as adorações solenes, a Bênção com o Santíssimo no ostensório por entre cânticos. Surgiram também os Congressos Eucarísticos, as Quarenta Horas de Adoração e inúmeras outras homenagens a Jesus na Eucaristia.