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"E vós, ó Maria, Mãe dos Sacerdotes…"

Pe. Everson Fontes Fonseca


Na reflexão do Ano Vocacional Arquidiocesano, vejamos a ligação existente entre a Virgem Santíssima e a sua relação com os escolhidos por Deus para o discipulado vocacional, ainda mais estreitamente, com aqueles que, de maneira íntima, sentem o chamado ao sacerdócio.


Naquela belíssima oração alcunhada pelo saudoso Dom Luciano José Cabral Duarte, conhecida como 'Oração pelas vocações e pelos sacerdotes', ele não deixou de invocar a Virgem Maria como Mãe dos Sacerdotes; assim, ensina-nos a implorar a sua intercessão maternal: "E vós, ó Maria, Mãe dos Sacerdotes, vós que sois a Onipotência Suplicante, socorrei-os a todos nos trabalhos e dificuldades em que se encontrarem". Mas, por que o experimentado Dom Luciano se dirige a Nossa Senhora como 'Mãe dos Sacerdotes'? Não o sabemos ao certo. Creio, no entanto, que, já com muitos anos de vida sacerdotal, o experimentado Arcebispo quis recordar-se, particularmente, das muitas vezes em que ele próprio se valeu do auxílio da Virgem Maria. Não somente isto. Podemos dizer mais: quando do Calvário, lemos no Evangelho de João que o Discípulo Amado, tão logo Jesus lhe confiou como Mãe a Sua própria Mãe, a acolheu consigo (cf. Jo 19,27), na realidade, foi a Virgem que o recebeu ao coração, a sua casa mais íntima, a interior. Em João, o Discípulo Amado, está representada, como sabemos, toda a humanidade, mais especialmente os sacerdotes, os filhos prediletos de Maria, como disse o Padre Stefano Gobbi, fundador do Movimento Sacerdotal Mariano.


Maria é chamada ainda de 'Onipotência Suplicante', isso porque ela é experta em pedir, tal como fez nas Bodas de Caná, na ocasião em que disse a Jesus, seu Filho e Senhor, favorecendo os noivos daquela festa: "Eles não têm mais vinho!" (Jo 2,3). Jesus é a Graça de Deus; e Ele vem-nos por Maria. Daí, muitos santos da Igreja afirmarem que todas as graças vêm de Maria. É ela que nos momentos em que os vasilhames do vinho da nossa alegria em dizer 'sim', pelas dificuldades, secam, enche as talhas, de volume incomparavelmente superior, com o vinho melhor, Jesus Cristo. E como é importante para um vocacionado, para um sacerdote, queixar-se com Maria as suas carências, as suas faltas, enfim, a sua sede! Ela que vem em socorro dos pecadores, rogando por todos, não viria, também, em favor daqueles que, no mundo, são alter Christus Sacerdos (outros Cristo Sacerdote)? Por isso que Dom Luciano nos ensina a clamar o socorro maternal para os divinos ofícios cabíveis aos sacerdotes de santificação, condução e ensino do Povo Santo de Deus, de maneira que tudo o que fazem seja bem feito para a glória do Santo Nome de Deus e para a salvação das almas, porque é ação mesma do Senhor, principalmente quando dos Sacramentos.


E Dom Luciano ainda reza mais: "Virgem Mãe, Rainha dos Apóstolos de Jesus, aumentai nas famílias o respeito e o amor aos sacerdotes". Com tal rogo, pede à Senhora de Pentecostes que as famílias continuem a se prestar como celeiros vocacionais, porque é do seio do lar que nascem todas as vocações. Que as famílias sejam contempladas por, do seu meio, fazerem brotar o ambiente no qual se deve apoiar os futuros ministros do Altar, germinando-os! E mais: que se permitindo à modelagem da santificação, cada lar cristão escute os pastores da Santa Igreja, tendo em conta as suas exortações, correções e advertências, convencendo as suas mentalidades com a sabedoria que resplandece do Evangelho.


E a prece continua: "Suscitai novas vocações sacerdotais e religiosas. Guiai, segundo o amor do vosso coração, os nossos seminaristas, para que sejam mais tarde dignos ministros do Altar, santos dedicados pastores do povo cristão". Como Mãe da Igreja porque é Mãe de seu Divino Pastor, Maria está atenta para que os filhos desta mesma Igreja encontrem a vida da graça e os meios para esta seja facilitada; ela que, também filha da Igreja (a mais ilustre), encarna em si aquele mesmo anseio da rainha Ester: "Concede-me a vida, eis o meu pedido. E a vida do meu povo, eis o meu desejo" (Est 7,3). Igualmente, como patrocínio solícito, quer que tantos escutem a voz do Senhor que passa e vocaciona: "Ide para a minha vinha!" (Mt 20,4). Isso porque ela escutou o chamado pelo seu próprio nome santíssimo da parte de Deus pelo Arcanjo São Gabriel: "Ave, Maria!" (Lc 1,28). E posta como intercessora, escuta e implora o que lhe rezamos, obedecendo ao imperativo de Jesus: "Pedi ao Senhor da messe que mande operários para a sua messe!" (Mt 9,39; Lc 10,2). E aos que foram tocados pela proposta divina, pedimos sustento na perseverança.


Qual rica é a experiência vocacional! Esta mesma riqueza é demonstrada pela iniciativa da Igreja de Aracaju com as reflexões sobre o Ano Vocacional. Vidas foram convocadas para, de diversas maneiras, corresponderem ao chamado amoroso do Senhor para edificarmos, cada um segundo o seu estado de vida, a Igreja de Cristo. Graças a esta oração composta pelo nosso segundo Arcebispo na sacristia do mais antigo templo de nossa Capital, a Igreja São Salvador, quando a nossa Arquidiocese passou por uma difícil fase de dez anos marcados pela ausência de ordenações sacerdotais, centenas de homens disseram o seu 'sim' e foram consagrados sacerdotes. Maria, como farol, resplandece à nossa frente. Modelo de vocacionada, o seu "sim" inspira tantos e tantos outros, inclusive na plena fidelidade da resposta à proposta de Deus. Por isso, não cessemos de unir as nossas vozes, clamando ao seu Filho: "Divino Salvador Jesus Cristo, concedei-nos sacerdotes santos…".


Padre Everson Fontes Fonseca é pároco da Paróquia Nossa Senhora da Conceição (Mosqueiro, Aracaju).

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