ENTREVISTA – Irmã Mabel: vocação inspirada nos exemplos de vida e de serviço de duas grandes santas



Pernambucana de Palmares-SE, a Irmã Maria Mabel de Luna Melo, diretora do Externato São Francisco de Assis, acaba de receber da Câmara Municipal o Título de Cidadã Aracajuana. A honraria é forma de reconhecimento e gratidão pelo trabalho que a religiosa realiza, há cinco anos, em favor de crianças necessitadas. Neste ano, ela celebra 34 anos de Vida Consagrada.


Conte-nos um pouco da sua trajetória vocacional

Minhas raízes estão na cidade de Palmares, conhecida como a capital da Mata Sul de Pernambuco. Pela providência divina, nasci em 8 de dezembro de 1966, no dia da Festa em honra de Nossa Senhora da Conceição. Sou a oitava dos nove filhos de Carmelita de Luna Melo e Luiz Etevaldo Matias de Melo (In Memoriam). Na adolescência, com o objetivo de concluir os estudos, fui morar com o meu irmão mais velho, na cidade de Paulista-PE, região metropolitana do Recife. Ao participar de grupos da Igreja e de encontros vocacionais, tive a oportunidade de conhecer algumas congregações religiosas. Foi profundamente motivador conhecer os exemplos de vida e de serviço da Irmã Dulce e da Madre Teresa Calcutá.


Conhecer esses dois exemplos também foi determinante para dizer sim ao chamado de Deus?


Sem dúvidas. Santa Dulce dos Pobres e Santa Teresa de Calcutá são preciosas fontes de inspiração para o meu ministério. No dia 2 de fevereiro de 1988, aos 22 de idade, ingressei na Congregação que se tornou o Instituto das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora do Bom Conselho (IFNSBC), na cidade de Bom Conselho-PE.


Antes de assumir a direção do Externato São Francisco de Assis, em Aracaju, a senhora desempenhou outras funções em sua Congregação?


A minha missão em Aracaju começou em janeiro de 2017. Antes, desempenhei diversas funções em Ceará-Mirim-RN, Bom Conselho-PE, Nova Cruz-RN, Natal-RN e no Rio de Janeiro-RJ. Na capital fluminense, exerci, durante 13 anos, o ofício de diretora do Orfanato Santa Rita de Cássia. Tive a oportunidade de atuar em diversas comunidades no entorno do Bairro da Praça Seca, região de Jacarepaguá. Uma rica experiência que me permitiu acompanhar processos de reintegração familiar, adoção e atividades de convivência e fortalecimento de vínculos das meninas atendidas pela instituição, muitas delas vítimas de abusos, maus tratos e violência.


Pode compartilhar conosco um pouco da sua formação acadêmica?


Tenho gradução em Serviço Social, pela Universidade Veiga de Almeida, e Pós-Graduações em Sociologia, pela Faculdade Integrada de Jacarepaguá, e em Responsabilidade Social e Gestão Estratégica de Projetos Sociais, pela Universidade Veiga de Almeida, além de um Curso de Extensão “Iniciação Teológica à Distância”, ministrado pelo Departamento de Teologia da PUC.


Fale-nos da missão e dos grandes desafios do Externato São Francisco de Assis e da Obra Social Frei Caetano de Messina, que estão sob os seus cuidados.


O Externato São Francisco de Assis é uma instituição sem fins lucrativos que, há 58 anos, atende crianças em situação de vulnerabilidade social. São crianças provenientes de diversas comunidades de Aracaju, em sua maioria filhos de mães que são chefes de família, mulheres que buscam o sustento da casa, mas não têm com quem deixar seus filhos. Desde 2019, também sou diretora-presidente da Obra Social Frei Caetano de Messina que, em conjunto com o Externato, também promove o atendimento às crianças, famílias e pessoas da comunidade.