• Pe. Everson Fonseca

Eucaristia: alimento das famílias



Encarando a Igreja como uma grande casa, onde a família de Deus se reúne, entendemos a importância da Eucaristia como “lugar” onde a fé dos filhos da Igreja é alimentada através dos divinos alimento e bebida, através do Corpo e Sangue de Jesus, portanto. Sim, a Igreja é Mãe porque Deus é Pai. E por gerar-nos e zelar-nos na fé, sem prejuízo algum, comparativamente, dizemos: a “Domus Ecclesiae” (a Casa da Igreja) é nosso lugar.


A Igreja deve ser família onde também as famílias se encontram. Igreja: família de famílias; família de Cristo composta por famílias que têm Cristo como o seu eixo. “Nos Evangelhos, a assembleia de Jesus tem a forma de uma família, e de uma família hospitaleira, não de uma seita exclusiva, fechada […] Os próprios discípulos são eleitos para cuidar desta assembleia, desta família dos hóspedes de Deus” (Francisco: Audiência Geral, 09 de setembro de 2015). Creio que, com este sublinhar do Papa Francisco acerca da tarefa que os discípulos de Jesus, os seus Apóstolos, possuem, é que nós, imerecidos pastores da Santa Igreja, entendemos a curatela que nos é cabida no lidar com as famílias. Por sermos pastores da grande “família de Deus” (cf. Ef 2,19), igualmente nos urge o dever de assistir às famílias. Não um assistir no transitivo direto, como espectadores, mas com o verbo no transitivo indireto, que inculca a ideia de socorro, de proteção. Velemos pelas famílias com o mesmo ardor que velamos as paróquias, as dioceses, porque o contexto familiar lhes é integrante: “a família e a paróquia são os dois lugares onde se realiza aquela comunhão de amor que encontra a sua derradeira fonte no próprio Deus” (Francisco: Audiência Geral, 09 de setembro de 2015). Logo, se nos preocupa como vivem as famílias, se no amor, se em Deus, estaremos prezando por sua origem, meio e destino.


As famílias são chamadas à grande família Igreja para, alimentadas pela Eucaristia, entenderem-se na sua missão no mundo, para unir os seus membros, formando, assim, uma verdadeira comunhão de amor entre os seus componentes. E mais: a Eucaristia alimenta as virtudes peculiares e necessárias às famílias cristãs. Por isso, é que o Papa São João Paulo II, na Exortação Apostólica Familiaris Consortio, associa a Eucaristia e família com as seguintes palavras: “A Eucaristia é a fonte própria do matrimônio cristão. O sacrifício eucarístico, de fato, representa a aliança de amor de Cristo com a Igreja, enquanto sigilada com o sangue da sua Cruz. Neste sacrifício da Nova e Eterna Aliança é que os cônjuges cristãos encontram a raiz da qual brota, é interiormente plasmada e continuamente vivifica a sua aliança conjugal. Como representação do sacrifício do amor de Cristo pela Igreja, a Eucaristia é a fonte de caridade. E, no dom eucarístico da caridade, a família cristã encontra o fundamento e a alma da sua ‘comunhão’ e ‘missão’: o Pão eucarístico faz dos diversos membros da comunidade familiar um único corpo, revelação e participação na mais ampla unidade da Igreja, a participação, pois, no Corpo ‘dado’ e no Sangue ‘derramado’ de Cristo, torna-se fonte inesgotável do dinamismo missionário e apostólico da família cristã” (n. 57).


É a partir do fulgor da Eucaristia, celebrada pelas famílias cristãs como nobilíssimo evento, que as outras dimensões de um lar são iluminadas. No descanso, no lazer, na convivência, e, depois, também no trabalho, nos estudos e nos demais afazeres, a celebração dominical dos divinos mistérios na Santa Missa deverá nortear a vida dos integrantes desta proto-sociedade vital denominada família. Tecendo sobre a santificação do Dia do Senhor, o Domingo, Sua Santidade, São João Paulo II, também observa: “Se a participação na Eucaristia é o coração do domingo, seria, contudo, restritivo reduzir apenas a isso o dever de ‘santificá-lo’. Na verdade, o dia do Senhor é bem vivido se todo ele estiver marcado pela lembrança agradecida e efetiva das obras de Deus. Ora, isto obriga cada um dos discípulos de Cristo a conferir, também, aos outros momentos do dia passados fora do contexto litúrgico – vida de família, relações sociais, horas de diversão –, um estilo tal que ajude a fazer transparecer a paz e a alegria do Ressuscitado no tecido ordinário da vida. Por exemplo, o encontro mais tranquilo dos pais e dos filhos pode dar ocasião não só para se abrirem à escuta recíproca, mas também para viverem juntos algum momento de formação e de maior recolhimento” (Carta Apostólica Dies Domini, 52).


“Uma mulher sábia edifica a sua casa” (Pr 14,1). Muito embora a Escritura assim garanta, não deve recair apenas sobre a mãe de família ou sobre as outras mulheres do lar o dever de santificar a sua casa, a sua família; esta atenção deve ser praticada por todos: pais e mães, filhos e filhas. A Eucaristia deve eivar as famílias, e, nisto santificá-las. Que aprendendo com a Sagrada Família, que tinha o Templo e as suas obrigações religiosas como necessidade de seu lar, as nossas famílias se primem para, na frequência à Igreja, alimentando-se da Eucaristia, inserir-se na comunidade de amor, a grande família de Deus, e, da mesma Igreja, se sintam responsabilizados.


Padre Everson Fontes Fonseca é pároco da Paróquia Nossa Senhora da Conceição (Mosqueiro, Aracaju).

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