Firmados, com Pedro, na Igreja



Quando nos preparamos para a Bênção Eucarística (aquela também chamada de Bênção do Santíssimo Sacramento), cantamos um trecho de um belíssimo poema de Santo Tomás de Aquino, "Lauda Sion", que diz: "Tão sublime Sacramento, adoremos neste altar. Pois o Antigo Testamento deu ao Novo o seu lugar". E o que isto nos quer dizer?


Com a realidade da encarnação do Verbo, Jesus Cristo, o Senhor, decretou o fim das figuras do Antigo Testamento, considerando as suas instituições, inclusive o judaísmo, como caducas. Chamamos de figura o apresentado pelo Antigo Testamento porque eram sombras, perderam o valor e não tinham a mesma eficácia do que foi instituído por Cristo em Sua Santa Igreja, a Católica, que, no seu interior, contém toda a salvação trazida por Seu Diviníssimo Fundador e é distribuída pela mesma Igreja, através dos seus ministros, os sacerdotes.


O Senhor decretou o fim do judaísmo, deixando a Sua Lei. Na Doutrina Católica, guardada e ensinada pelos Apóstolos e seus sucessores legítimos, temos a autoridade do próprio Cristo que ensina e governa. Nos sacramentos, celebrados pelos sacerdotes do Novo Testamento, temos a própria ação de Cristo, Único e Eterno Sacerdote, que santifica. De maneira que somente a Igreja Católica, em nome de Cristo, tem a chave para a salvação. E isto é figurado, ainda no Velho Testamento, pelo filho de Helcias, Eliacim: "Eu o farei levar aos ombros a chave da casa de Davi; ele abrirá, e ninguém poderá fechar; ele fechará, e ninguém poderá abrir. Hei de fixá-lo como estaca em lugar seguro e aí ele terá o trono de glória na casa do meu pai" (Is 22,22-23).


Esta autoridade 'da' e 'sobre' a Igreja foi dada por Jesus a Simão, chamado Pedro, no Evangelho. Mediante a experiência que fez com o Senhor, ele é capaz de professar, em seu próprio nome e em nome dos seus companheiros, a fé no Cristo, presente diante dele: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo" (Mt 16,16). Esta profissão de fé, como fruto de um reconhecimento constante da presença do seu Senhor, que a assiste e a confirma no Espírito Santo, é feito, diariamente, pela Igreja, unida em torno do Sucessor de Pedro, hoje, o Papa Francisco. E é justamente sobre a firmeza da fé de Pedro, sustentada pelo Alto, que o Senhor Jesus Cristo fundou a Sua Igreja. De maneira que o que falta na fé de pessoal de Pedro é suplantado pelo Espírito Santo, que, também, sublima, aperfeiçoa o que a fé de Pedro professa. De maneira que somente crê plenamente em Deus quem professa a Fé Católica.


Lendo os Evangelhos, sabemos que, pessoalmente, o Apóstolo Pedro vacilou. Nós também vacilamos. E uma questão poderá nos vir: "Por que o Cristo se valeu de uma fé tão incerta como a de Pedro?". A resposta é clara: porque Ele assim o quis: valendo-Se de uma fé pessoal tão frágil, assistindo-a da armadura do Espírito Santo, faz com que Pedro confirme os irmãos (cf. Lc 22,32) e apascente as Suas ovelhas (cf. Jo 21,15-17) no nome e na autoridade de Cristo. E que bom, falando da escolha de Simão como 'Pedra da Igreja', num desígnio misterioso de Deus, é ter aos olhos a passagem da Carta aos Romanos, em que São Paulo exalta a Divina Sabedoria: "Ó profundidade da riqueza, da sabedoria e da ciência de Deus! Como são inescrutáveis os seus juízos e impenetráveis os seus caminhos!" (11,33). E o plano de escolha do Senhor também vem à nossa vida, como veio a de Pedro, por livre iniciativa de Deus. Nada merecemos, é bem verdade! Tudo é obra do Seu amor. Louvado seja Deus!


Na fé de Pedro, vislumbrando o Céu na voz, nas ações e na realidade da Igreja, sejamos fortalecidos nos caminhos do mundo, rumo à felicidade plena. Enxerguemos e reconheçamos o Senhor, apontado, amorosa e incansavelmente, pela Igreja Católica, e façamos Dele o Senhor das nossas vidas.


Padre Everson Fontes Fonseca, vigário paroquial da Paróquia São João Batista (Conj. João Alves).