• Pe. Everson Fonseca

Forjados no fogo de Deus



Seremos julgados pelo fogo do amor de Deus. Todos, sem exceção, apresentar-nos-emos diante Dele. Eis um aviso dado pelas Escrituras Sagradas, e nunca esquecido pela Santa Igreja.

Do Profeta Malaquias, temos uma das representações da cena do Dia do Juízo e o seu impacto para os injustos e para os bons: "Eis que virá o dia, abrasador como fornalha, em que todos os soberbos e ímpios serão como palha; e esse dia vindouro haverá de queimá-los, [...] tal que não lhes deixará raiz nem ramo" (Ml 3,19). Imaginando Deus, em Sua misericórdia, como Aquele que veio para trazer fogo à terra (cf. Lc 12,49), não podemos imaginar outra realidade senão a de que os maus serão responsabilizados por terem desperdiçado a calidez do amor do Senhor. Para estes, qual sorte estará reservada? Inculca-me a imagem do fogo do inferno: chamas vorazes e iracíveis, que retorcerão aqueles que, criados à imagem e semelhança divinas, pouca - ou mesmo nenhuma - questão fizeram em viver como tais, excluindo-se da vida da graça.

Um profícuo autor, de cujo nome desconhecemos, mas que viveu no século II, refletindo este mesmo trecho do Profeta Malaquias, expressará e aconselhar-nos-á: "Sabei, pois, já vem o dia do juízo qual fornalha ardente e parte dos céus se desfará (cf. Ml 3,19) e toda a terra será liquefeita como chumbo ao fogo. Neste momento, ficarão patentes as obras dos homens, as ocultas e as manifestas. Por isso, a esmola é boa como penitência pelo pecado. Melhor o jejum do que a oração; a esmola mais que estes dois: a caridade cobre uma multidão de pecados (1Pd 4,8). Contudo, a oração, feita de consciência pura, livra da morte. Feliz quem for reconhecido perfeito nestas coisas; porque a esmola afasta o pecado. Façamos, portanto, penitência de todo o coração, para que nenhum de nós pereça".

Entretanto, para os que, docilmente, se expuseram a 'chama viva de caridade', para os quais Deus por Malaquias diz: "Para vós, que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, trazendo salvação em suas asas" (Ml 3,20), haverá a vida. Mediante a iluminação interior dos que temem o Senhor e, em tudo, realizam a Sua vontade, não haverá destruição.

Retomemos novamente a imagem do fogo: para aqueles que não são forjados, e, com isto, contra a vontade de Deus, vivem impenitentes, haverá a eterna distorção do ser, no lugar - ao qual denominamos 'inferno' - onde há ausência de Deus e, consequentemente, a anulação plena da dignidade. Porém, para os que se deixam modelar, forjar, pelo fogo do amor divino, serão conformes o coração do próprio Deus, e isto será a eterna felicidade.

Esta ação de Deus em nós, que, nestas linhas, chamamos 'forjar' (tal como se faz com o metal), acontece nesta vida, nossa única oportunidade para tanto. O que vemos no nosso viver, neste nosso hoje? Parece-nos que as predições de Jesus, presentes no Evangelho, já começaram a acontecer: "Quando ouvirdes falar de guerras e revoluções, não fiqueis apavorados. É preciso que estas coisas aconteçam primeiro, mas não será logo o fim. [...] Um povo se levantará contra outro povo, um país atacará outro país. Haverá grandes terremotos, fomes e pestes em muitos lugares; acontecerão coisas pavorosas e grandes sinais serão vistos no céu. Antes, porém, que estas coisas aconteçam, sereis presos e perseguidos; sereis entregues às sinagogas e postos na prisão; sereis levados diante de reis e governadores por causa do meu nome" (Lc 21,9.10-12). As dificuldades desta vida permitidas por Deus são auxiliares para que sejamos modelados no amor divino. E, tal como metal que é, depois de forjado, martelado na bigorna para ganhar o seu formato, deveremos tilintar em correspondência amorosa ao "Divino Ferreiro" de nossos corações, por vezes, endurecidos. É por isto que resgato o que segue no trecho de Lucas, rememorado há pouco: "Esta será a ocasião em que testemunhareis a vossa fé [...] Mas vós não perdereis um só fio de cabelo da vossa cabeça. É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida!" (Lc 21,13.18-19). Seremos provados pela fé a qual devemos, sempre, manter íntegra, incólume.

Se o Senhor prediz a queda do ricamente ornado Templo de Jerusalém (o que aconteceu no ano 70 d.C.), os que são preparados para entrar no santuário celeste são templos vivos do Espírito Santo, que nos robustece com a Sua força, e, por isso, resistirão às intempéries e às catástrofes do tempo presente, do mundo que persegue, porque odeia, a Igreja de Cristo e o anúncio do Seu Evangelho. Perseverança no bem e coragem: eis o que nos cabe como preparativos para o Dia do Senhor.

Padre Everson Fontes Fonseca é pároco da Paróquia Nossa Senhora da Conceição do Mosqueiro (Aracaju).

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