• Pe. Everson Fonseca

Modelo de santidade, Maria intervém em nosso favor

Atualizado: 10 de Dez de 2019


Com a reflexão da santidade que ornou a Beatíssima Virgem Maria, a Imaculada Conceição, tratamos como a vida de Nossa Senhora é referência para a santidade de toda a Igreja, de todos os fiéis cristãos em todos os tempos e lugares. E, para isto, pensamos no do Prefácio da Missa da Imaculada Conceição, onde se estabelece a relação entre Maria e a Igreja: “Escolhida, entre todas as mulheres, modelo de santidade e advogada nossa, ela [Maria] intervém constantemente em favor de vosso”.

Celebrar a Imaculada Conceição é um chamado à responsabilidade de conservarmos a integridade da pureza do nosso Batismo; de como o banho da regeneração fez-nos santos; de levarmos adiante, intacta, a beleza que a fé cristã nos outorgou quando, temporalmente, fomos alcançados pela salvação de Cristo, no dia mesmo em que fomos feitos filhos de Deus, anulando em nós o pecado original. Assim como Maria é Imaculada Conceição porque foi concebida sem a mancha do pecado original, pela geração no Santo Batismo, tornamo-nos imaculados, isentos da nódoa viscosa que nos prendia ao pecado de Adão e Eva. Se perdemos, pela graça batismal, o pecado original, habitualmente, o cristão é chamado a escolher sempre a via da santidade em cada uma de suas opções de vida, tal como fez Maria, a Imaculada Conceição.

“Tu és toda formosa, amiga minha, e em ti não há mácula” (Ct 4,7). Este elogio do Cântico dos Cânticos não deverá ser apenas dirigido a Nossa Senhora. Sim. Ela é, dentre todas as criaturas, a mais bela, a mais esplêndida. Entretanto, deve ser retrato da nossa alma, do nosso interior, sempre votados a Deus, de maneira que, desejosos pela santidade que brota do coração da Santíssima Trindade, abraçarmos este estilo de vida como um dom, como uma dádiva, como um presente.

Santo Afonso de Ligório, comentando a Conceição Imaculada de Maria, tratará como conveio, sumamente, às três Pessoas da Santíssima Trindade preservar Maria da culpa original. “Para honra do Filho, conveio, portanto, que o Pai preservasse a Mãe de toda a mácula de pecado. […] porque Deus destinou esta sua filha para esmagar a cabeça da serpente infernal, que seduzira o homem”; ela que gerou o Filho do Espírito Santo, que a cobriu com a sua sombra (cf. Lc 1,35). Desta maneira, Santo Afonso, seguindo a Tradição da Igreja de ver, na profecia da Nova Eva, a figura de Maria, a isenta de pecado, resgatará o que se diz no Gênesis: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça” (Gn 3,15). E, ainda neste pensamento, na Mulher Apocalíptica, ser-nos retomada esta imagem: “Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma Mulher revestida do sol, a lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas” (Ap 12,1). Esta lua que a mulher misteriosa – porque é cheia de Deus – pisoteia é uma das figuras de Satanás, do pecado, que leva o homem à inconstância do bem, minguando-o no pecado. Maria é a mulher que preferiu a melhor parte (cf. Lc 10,42): a de ser serva do Senhor, Sua escrava, a ser ancila do pecado: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!” (Lc 1,38). Se Maria se põe à disposição da vontade do Senhor, de Sua Palavra, esta atitude já se constituía um projeto particular de vida, que já vinha sendo executado e se reforçará, ainda mais, com o fato de sua gestação Daquele que “não teve horror de encarnar-se no seio da Virgem” (tal como cantamos no Te Deum), porque esta foi sempre pura e imaculada. O ventre de Maria foi, dentre o de todas as criaturas, a mais digna habitação para Cristo.

A devoção popular, unida à Tradição, chama a Imaculada Maria de ‘horto fechado’, em referência ao Jardim do Éden que se fecha após o pecado original para Adão e Eva, pecadores (cf. Gn 3,24), e ‘fonte selada’, em alusão ao que se lê na Sagrada Escritura (cf. Ct 4,12), para dizer que, na alma bendita de Maria, os inimigos nunca penetraram, somente o Espírito Santo. Daí, ser a Imaculada Conceição tão odiada por Satanás e ojerizada pelos espíritos das trevas.

Que Maria, Mãe de Cristo, Imaculada, resplandecente de beleza, por sua intercessão e seu modelo, nos propicie que, também, diante das tentações da vida, esmaguemos a cerviz, a cabeça do astuto Diabo. Que rompamos com todas as situações de pecado, que nos horrorizam e fazem com que negligenciemos a nossa condição de filhos de Deus, imagens e semelhanças Suas. Que tenhamos asco ao pecado! E que, diante da aparente impotência nossa em enfrentar as desafiantes tentações, encorajemo-nos a bradar: “Ó Virgem Santíssima, não permitais que eu viva e nem morra em pecado mortal. Em pecado mortal não hei de morrer porque a Virgem Santíssima me há de valer. Há de valer-me na maior aflição! Ó Virgem Santíssima, tende de nós compaixão!”.


Padre Everson Fontes Fonseca, Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Conceição do Mosqueiro.

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