Na Escola de Maria, aprendemos a sua fé


A alma humana é livre, inteligente e possuidora de vontade. Fomos criados assim por vontade de Deus. Ao mesmo tempo, em que, criados, fomos dotados de liberdade, com vistas à santificação por meio dos mistérios da salvação que Cristo nos trouxe com Sua cruz, Deus nos concede a sua Graça para o nosso ser, para que sejamos Seus imitadores. Somente a partir de nossa humanidade permeada de Deus pela graça santificante é que agimos em vistas ao bem. Esta graça santificante nos é inserida a partir do Batismo e ordinariamente pelos sacramentos. Na vida de Nossa Senhora, porém, esta graça lhe adveio desde o primeiro instante de sua conceição. Mas a graça santificante dada por Deus conta com uma força que vem também vem do alto e se junta às nossas humanas forças: são as virtudes.

Maria praticou de maneira admirável todas as virtudes convenientes à sua condição. Convenientes, porque nem todas as virtudes são praticáveis por todos. Assim, há virtudes que tendem a liberar o homem do pecado ou das consequências deste, virtudes que somente podem aflorar numa consciência antes maculada pela iniquidade. Tais virtudes não se poderiam encontrar nem em Jesus nem em Maria porque são imaculados; bem como a penitência nem as outras virtudes pelas quais o homem domina suas paixões, porque essas lutas interiores nunca perturbaram a serena e tranquila liberdade de espírito da Mãe de Deus. Exceto essas virtudes, a Virgem Santíssima praticou todas as demais, extraordinariamente.

A Virgem Mãe do Senhor e nossa foi possuidora das Virtudes Teologais mais do que qualquer outra criatura. Como sabido, as virtudes teologais são três: a fé, a esperança e a caridade. A razão do número ternário é porque, com elas, se realiza perfeitamente a união imediata com Deus (vem de Deus e nos leva para Ele). A fé nos dá a conhecer Deus e a Ele nos une como Primeira Verdade; a esperança no-Lo faz desejar como nosso sumo Bem; a caridade a Ele nos une com amor ardente, enquanto infinitamente bom em Si mesmo.

Objetivamente, a fé de Maria era profundíssima pela revelação que lhe foi feita, quando da Anunciação, dos mistérios da Encarnação e da Redenção, e por sua santa e cotidiana familiaridade com o Verbo encarnado. Subjetivamente, sua fé era, além disso, firmíssima, certíssima e instantânea. Ora, Maria recebeu a fé infusa no mais alto grau que jamais existiu.

Não poderíamos, portanto, fazer uma ideia da elevação da fé que possuía Maria. Na Anunciação, logo que a verdade divina sobre o mistério da Encarnação redentora Lhe foi suficientemente proposta, Ela acreditou (cf. Lc 1, 45). Ela viu nasceu seu Filho no estábulo de Belém, e acreditou que era o Criador do universo; viu toda a fragilidade de Seu corpo menino, e O creu onipotente; quando Ele começou a balbuciar, Ela O tomou pela própria Sabedoria; no dia da Circuncisão e da apresentação no Templo, sua fé se abriu mais e mais para o mistério da Redenção; quando fugiu com Ele diante da cólera de Herodes, não deixou de acreditar que Jesus era o Rei dos reis e o Senhor dos senhores. Durante a Paixão, quando os Apóstolos, com exceção de João, se distanciaram, ela estava junto à Cruz, de pé, sem desfalecer. Ela não cessou um instante de crer que seu Filho é verdadeiramente o Filho de Deus, o próprio Deus, na aparência vencido, na realidade vencedor do demônio e do pecado, e que, em três dias, será o vencedor da morte por sua ressurreição, como Ele predisse. Este ato de fé praticado por Maria no Calvário, nessa hora sombria, foi o maior que jamais existiu, aquele cujo objeto era o mais difícil: que Jesus obtinha a maior vitória pela mais completa imolação.

Posteriormente, desejo tratar, com o meu caro leitor, acerca das outras duas virtudes teologais – esperança e caridade – que resplandeciam no coração de Nossa Senhora. Espero que o desejo de copiarmos em nós a fé de Maria seja uma constante para chegarmos ao céu sendo agradáveis a Deus, que nos concede os Seus dons.

Padre Everson Fontes Fonseca é pároco da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, no Mosqueiro.

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