Na espiritualidade mariana da penitência e oração



Estando no último sábado de outubro, mariano, por ser o Mês Rosário, salutar é recordarmos a “aparição do adeus” de Nossa Senhora de Fátima, fazendo memória de sua última manifestação à Cova da Iria, em 13 de outubro de 1917, às crianças Lúcia, Jacinta e Francisco. O que podemos extrair da mensagem da Senhora do Céu naquele dia tão singular e repleto de significado? De antemão, saibamos: o seu apelo maternal para o nosso bem e para que a ira de Deus seja aplacada.


Como narra a vidente Lúcia na coletânea de seus testemunhos ao Bispo de Leiria, encadernado sob o título “Memórias”, naquele chuvoso e lamacento dia, a “Senhora de branco” deu aos Pastorinhos um recado (ao lado do pedido da récita diária do terço para alcançar a paz), que é destinado também a nós, seus filhos, para que as nossas vestes espirituais permaneçam puras: “É preciso que se emendem, que peçam perdão dos seus pecados. Não ofendam mais a Nosso Senhor que já está muito ofendido”. Logo, pela penitência e oração, preparamo-nos para ser agradáveis a Deus; principalmente se a penitência pessoal, como rompimento do pecado, seja precedida pela penitência sacramental, que chamamos Confissão, na qual a nossa veste se alveja no sangue do Cordeiro (cf. Ap 7,14; 12,11), recebendo a absolvição das nossas culpas pelo sacramento.


A Virgem garante as suas palavras, desejando inscrevê-las na memória e no coração de todos os ouvintes e dos que, posteriormente, leem e tomam ciência sobre tal fato, com o milagre do sol, que gira, em piruetas, sobre si mesmo. Sinais da veracidade da Palavra de Deus também temos diante de nós, cotidianamente, pelo mistério do grande Sol, Jesus Cristo Eucarístico, que gravita, em torno de Si, todos os mistérios divinos e humanos, fazendo-nos conscientes da necessidade de trilhar uma vida santa e agradável a Deus. Para recepcioná-Lo na Divina Comunhão, basta que creiamos e vivamos, com todo o esforço do nosso ser, plenamente de acordo com tudo o que ensina e prega a Igreja; caso contrário, falsa será a nossa devoção, a nossa piedade, o nosso amor ao Senhor e à Sua imaculada Mãe.


Sentindo em nós as realidades celestes que se descortinam através da Santa Igreja Católica, que ensina, incansavelmente, a nos dirigirmos ao Senhor com maior fidúcia, peçamos a Virgem de Fátima que, pelo seu exemplo e suas preces, sejamos dignos de obter, pela misericórdia de Deus, facilitada pela nossa contrição e espiritualidade, a eterna felicidade que o Senhor Jesus Cristo, também por Sua Mãe em suas aparições ao longo dos séculos, nos prometeu; misericórdia não somente para nós, mas para o mundo inteiro, apesar de seus muitíssimos pecados, com as suas profundas necessidades de obter somente em Deus a sua paz e felicidade.


Padre Everson Fontes Fonseca, vigário paroquial da paróquia São João Batista (Conj. João Alves).