O patrocínio de José



Desde o dia oito de dezembro do ano passado, por convocação do Papa Francisco, a Igreja tem vivido uma formidável experiência, o Ano Josefino, em alusão ao sesquicentenário da proclamação de São José como Padroeiro da Santa Igreja Católica, iniciativa do Papa Beato Pio IX. Neste dia primeiro de maio, Dia do Trabalhador por ser a comemoração de São José Operário, reflitamos este seu padroado.


Por padroeiro, desde a antiga Roma, entende-se protetor, guardião. Essas atitudes vemos no grande Patriarca da Sagrada Família, que, zelosamente, arriscando até a sua própria vida, custodiou Jesus na Sua integridade humana, aludindo – quem sabe?! – àquele patrocínio que São José seria convidado a dispensar ao Corpo Místico de Cristo, à Sua Igreja Católica, pela qual o Senhor deu a vida para o resgate de todos. O espírito de paternidade tido por José para com o Filho de Deus foi alargado quando ele, discreta e virilmente, foi proclamado patrono da Igreja de Cristo; justamente patrono, termo cuja raiz etimológica é ‘pai’.


No decreto do Papa Pio IX que proclama São José com a prerrogativa de Patrono da Santa Igreja, “Quemadmodum Deus”, o Santo Padre aponta a motivação que lhe toca ao seu coração de Pastor Universal em tão grande atitude: “E agora, nestes tempos tristíssimos em que a Igreja, atacada de todos os lados pelos inimigos, é de tal maneira oprimida pelos mais graves males, a tal ponto que homens ímpios pensam ter finalmente as portas do Inferno prevalecido sobre ela, é que os Veneráveis e Excelentíssimos Bispos de todo o mundo católico dirigiram ao Sumo Pontífice as suas súplicas e as dos fiéis por eles guiados, solicitando que se dignasse constituir São José como Patrono da Igreja Católica”. Parece que a renhida luta enfrentada pela Igreja em todos os tempos repete-se também em nossos dias. Muitos são os inimigos da fé. Muitos deles, homens de poder de decisão, tentam ridicularizar aquela que é obra amável de Deus em Seu próprio Corpo Místico: a Igreja. Também hoje, de maneira especial nestes cento e cinquenta anos do padroado de São José sobre a Igreja Católica, juntos, pastores e fiéis, invocamos o socorro do glorioso Pai nutrício do Salvador.


E como Jacó e os seus filhos foram atrás de José no Egito (seu irmão e filho), administrador dos bens do Faraó, corramos, enquanto assembleia de batizados, povo santo de Deus, à intercessão daquele que posterga a Davi um glorioso e estável reino: José de Belém, de Nazaré, da carpintaria. Sim, porque Deus, “chegando à plenitude dos tempos, estando para enviar à terra o seu Filho Unigênito Salvador do mundo, escolheu um outro José, do qual o primeiro era figura, o fez Senhor e Príncipe de sua casa e propriedade e o elegeu guarda dos seus tesouros mais preciosos” (Carta Quemadmodum Deus).


Entrando na dinâmica interessante da Sagrada Família, percebemos a harmonia de papeis entre os seus membros. Alguém, erroneamente, poderia dizer que havia confusões de competências; o que não procede. Assim, percebemos que nenhuma sociedade humana é perfeita se não tem o próprio Deus como vínculo e como confluência. E se uma sociedade, instituição ou mesmo a família humana não buscar os seus caracteres na vida da Sagrada Família cairá no fracasso da infelicidade e do insucesso.


Quão agraciado foi São José já nesta vida mortal, não obstante as dificuldades que enfrentou! Nesta felicitação, o Papa Pio IX exclamou: “De fato, ele teve como sua esposa a Imaculada Virgem Maria, da qual nasceu pelo Espírito Santo, Nosso Senhor Jesus Cristo, que perante os homens dignou-se ter sido considerado filho de José, e lhe foi submisso. E Aquele que tantos reis e profetas desejaram ver, José não só viu, mas com Ele conviveu e com paterno afeto abraçou e beijou; e além disso, nutriu cuidadosamente Aquele que o povo fiel comeria como pão descido dos céus para conseguir a vida eterna. Por esta sublime dignidade, que Deus conferiu a este fidelíssimo servo seu, a Igreja teve sempre em alta honra e glória o Beatíssimo José, depois da Virgem Mãe de Deus, sua esposa, implorando a sua intercessão em momentos difíceis”. Nesta mesma linha, tantos artistas e poetas fizeram suas obras exclamando as virtudes de tão grande santo; bem como o nosso povo, na sua terna piedade e humilde devoção, não cessa de rogar: “Valei-me, São José!”.


Ouçamos, não do Faraó, mas do próprio Senhor, o conselho: “Ide a José, e fazei o que ele vos disser!” (Gn 41,55). Não o José, dispenseiro do Egito, mas aquele que dispôs de seus bens, de seus trabalhos, de seus cansaços, suores e de todos os seus sonhos e projetos para a salvação do mundo. E o que José nos falará, ele que nunca abre a boca nos Evangelhos? Assentirá, com a sua própria vida, o que sempre ordena, também nas Bodas de Caná, a Santíssima Virgem Maria, sua virginal esposa: “Fazei tudo o que Ele vos disser!” (Jo 2,5); ou seja, que, na nossa obediência, como o glorioso São José, sempre façamos o querido por Deus, a Sua divina vontade.

Padre Everson Fontes Fonseca, vigário paroquial da Paróquia São João Batista (Conj. João Alves)