• Pe. João Claudio

Os Santos Anjos e a espiritualidade da unidade



No mistério da sua onipotência, Deus quis servir-se de anjos que são os seus mensageiros, capazes de intervir na história humana, esclarecendo-nos nos momentos de dúvidas para que trilhemos os caminhos de Deus, mesmo que sejam difíceis ou até incompreensíveis diante das lógicas humanas. Todos lembramos o quanto foi difícil para José acolher Maria como a sua esposa. Sendo José um homem justo e temente a Deus, o anjo lhe apareceu durante o sono, trazendo-lhe a seguinte mensagem: “Não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo” (Mateus 1,20).


O anjo traz uma mensagem que encoraja. É papel do anjo alertar para que não construamos caminhos próprios, segundo às nossas medidas, pois nos distanciam de Deus. O anjo prepara o coração humano para que acolhamos o Espírito Santo. Assim vemos no relato bíblico acerca de José, mas ainda no diálogo com Maria Santíssima, que até então não compreende o que está prestes a acontecer em sua vida. O anjo lhe diz: O Espírito descerá sobre ti. (Lucas 1,35) Uma correta devoção aos santos anjos, deve acentuar sempre a dimensão bíblica, pois enquanto mensageiro, o anjo traz a Palavra Sagrada de Deus para encorajar e esclarecer. A Palavra de Deus é Luz, portanto traz o discernimento que é preciso para tomar decisões agradáveis aos olhos de Deus. Assim, a devoção aos santos anjos é cristocêntrica, pois o anjo remete a Deus que se revela plenamente no Filho Unigênito Jesus Cristo. O anjo não fala de si próprio, mas se esvazia de si mesmo para servir a Deus, nesta obra de condução do gênero humano, nos caminhos da concórdia e da paz.


A devoção aos santos anjos é também mariana e familiar, na medida que o anjo está presente na vida de Maria e de José, e também os auxilia durante os momentos difíceis que marcaram o caminhar da Sacra Família de Nazaré. A cena da fuga para o Egito, mostra a constante intervenção de Deus para libertar dos perigos que se abatem contra nós, para enfraquecer a esperança.


O anjo recorda: Quem como Deus? Esse é o grito do anjo diante de tudo o que ameaça a nossa comunhão com Deus e com os irmãos. São Miguel e os anjos são os guardiões do desejo profundo do coração humano: a presença de Deus. São Miguel, São Gabriel e São Rafael intervirão sempre impedindo que nos tornemos ramos separados da Videira Eterna do Pai, que é o Filho Jesus. Na devoção aos santos anjos, há um compromisso de unidade com a Palavra que entrelaça com os vínculos de verdadeira fraternidade espiritual.


Este é o compromisso de todo coração devoto de São Miguel arcanjo, ser o anjo para as pessoas, anunciando com a vida as maravilhas da Palavra de Deus, sendo o instrumento de unidade da família nutrida pelo Evangelho e pelas graças que brotam dos santos sacramentos. (cf. Mateus 2,13; Jo. 15,5).


Padre João Claudio é pároco da paróquia Nossa Senhora Aparecida (Farolândia)

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