Parabéns aos nossos sacerdotes, ministros do altar e amigos da cruz de Cristo



Rememorando alguns trechos do rito da Ordenação Sacerdotal, dia em que o homem “tirado do barro” é configurado a Cristo Bom Pastor, desejamos enfatizar a sublime vocação daqueles que, a exemplo de Verbo Encarnado, encontram na missão recebida o caminho de serviço ao Povo de Deus, mediante uma contínua santificação.


O Senhor Jesus Cristo, a Quem o Pai ungiu pelo Espírito Santo e seu poder, te guarde para santificares o povo cristão e ofereceres a Deus o sacrifício”. O Sacerdote é “concebido” e entendido para santificar o povo, para oferecer o Sacrifício, e, por isso, escuta o que segue: “recebe a oferenda do povo santo para apresentares a Deus. Toma consciência do que vais fazer; imita o que irás realizar, e conforma a tua vida com o mistério da Cruz do Senhor”. O chamado de Deus mira a algo bem preciso: conformar a própria vida com o mistério da Cruz. O Sacerdote é o homem do Altar porque é o homem da Cruz. De modo especial ao Sacerdote cabe assimilar as palavras do Apóstolo “agora regozijo-me nos meus sofrimentos por vós, e completo o que falta às tribulações de Cristo em minha carne pelo seu corpo, que é a Igreja” (Col 1, 24), nisso encontrando sua delícia e motivo de viver: o seu sacrifício de suave odor. O Sacerdote na Santa Missa não oferece uma “matéria” estranha à sua vida, mas o próprio pão depositado em cima do é composto, também, por suas lágrimas e provações diárias, por suas lutas e recomeços, acolhendo o “corpo” preparado por Deus, qual sinal de docilidade à Vontade do Pai (cfr. Hb, 10, 5), à semelhança de Cristo que, em tal Vontade, encontra Seu alimento (cfr. Jo 4, 34).


Ora, por ser “fraco” o Sacerdote é convidado a exclamar: quero lutar e alcançar o candor dos santos, que se resume nas seguintes palavras: “do profundo das minhas misérias, não cessarei de manter os meus olhos fixados no Essencial: Deus”. Se bem aceita e ressignificada, a fraqueza na vida sacerdotal se apoiará na fortaleza de Cristo, já não a tornando objeto de pretexto para a estagnação na vida espiritual, mas “energético” para alimentar a confiança em Deus, que completa a obra começada até ao dia de Cristo de Jesus (cfr. Fil 1, 6).


Portanto, o Cálice do sacrifício que o Sacerdote eleva contém, também, suas penas quotidianas, grandes ou pequenas que sejam, e tudo isso para a glória e santificação do Senhor e para a salvação de tantas pobres almas que jazem no pecado. O Sacrifício da Missa salva o mundo; é a “voz” de Cristo que continuamente repete “Pai, perdoa-lhes pois não sabem aquilo que fazem” (Lc 23, 34), e quando o Sacerdote une às Suas as próprias cruzes, a sua voz também se une à Sua, cuja consequência é graça e misericórdia derramadas sobre a humanidade. Para estar, realmente, unido ao Sacrifício de Cristo não servem muitas coisas, mas aceitar o Seu Rosto da maneira que se apresenta cada dia.


O Sacerdote é chamado a renovar diariamente o amor pela salvação das almas relembrando que atingirão a santidade pelo próprio exercício do seu ministério, realizado sincera e infatigavelmente no espírito de Cristo. Além disso, como ministros das coisas sagradas, é sobretudo no Sacrifício da Missa que os presbíteros dum modo especial fazem as vezes de Cristo, que se entregou como vítima para a santificação dos homens. Por isso, são convidados a imitar aquilo que tratam, enquanto, celebrando o mistério da morte do Senhor, procuram mortificar os seus membros de todos os vícios e concupiscência. No mistério do sacrifício eucarístico, em que os sacerdotes realizam a sua função principal, exerce-se continuamente a obra da nossa redenção (PO 13).


O Sacerdote é a Missa que celebra! Homem do povo, porque homem do Altar. Na Eucaristia, o Sacerdote se nutre para tornar-se “eucaristia” ao povo de Deus. Ora, o Sacerdote, diante de tão sublime missão, a exemplo de Jesus, busca momentos de silenciosa e enriquecedora oração, apartado dos rumores ensurdecedores das distrações para dar espaço ao diálogo com Jesus, ciente das palavras “sem Mim, nada podeis fazer” (Jo 15, 5), reconhecendo na oração o sustento capaz de o revigorar quotidianamente. A oração é o momento no qual o Sacerdote retorna ao primeiro Amor; é o momento no qual, em discernimento, reafirma a firme vontade de seguir, sem reservas, a vocação que, mais que uma escolha sua, é resposta a um chamado gratuito do Senhor. Foi através da oração que São João Maria Vianey transformou a sua paróquia – e antes dela a sua vida – num oásis onde as almas encontravam refrigério às intempéries do mundo e força na luta contra o pecado. O Santo Cura ensinava os seus paroquianos sobretudo com o testemunho da vida. Pelo seu exemplo, os fiéis aprendiam a rezar, detendo-se de bom grado diante do sacrário para uma visita a Jesus Eucaristia. «Para rezar bem – explicava-lhes o Cura –, não há necessidade de falar muito. Sabe-se que Jesus está ali, no tabernáculo sagrado: abramos-Lhe o nosso coração, alegremo-nos pela sua presença sagrada. Esta é a melhor oração». E exortava: «Vinde à comunhão, meus irmãos, vinde a Jesus. Vinde viver d’Ele para poderdes viver com Ele». «É verdade que não sois dignos, mas tendes necessidade!». Esta educação dos fiéis para a presença eucarística e para a comunhão adquiria uma eficácia muito particular, quando o viam celebrar o Santo Sacrifício da Missa. Quem ao mesmo assistia afirmava que «não era possível encontrar uma figura que exprimisse melhor a adoração. (...) (Ano Sacerdotal, Bento XVI).


Desejamos, neste dia do Padre, renovar nossa gratidão e fervorosa oração aos Sacerdotes “Irmãos, obrigado pela vossa fidelidade aos compromissos assumidos. Numa sociedade e numa cultura que transformou o «gasoso» em valor, é verdadeiramente significativa a existência de pessoas que apostem e procurem assumir compromissos que exigem toda a vida. Substancialmente, estamos a dizer que continuamos a acreditar em Deus que nunca quebrou a sua aliança, mesmo quando nós a quebramos vezes sem conta. Isto convida-nos a celebrar a fidelidade de Deus que, apesar dos nossos limites e pecados, não deixa de confiar, crer e apostar em nós, e convida-nos a fazer o mesmo. Cientes de trazer um tesouro em vasos de barro (cf. 2 Cor 4, 7), sabemos que o Senhor Se manifesta vencedor na fraqueza (cf. 2 Cor 12, 9), não deixa de nos sustentar e chamar, dando-nos cem por um (cf. Mc 10, 29-30), porque «é eterna a sua misericórdia».


Obrigado pela alegria com que soubestes entregar a vossa vida, mostrando um coração que, ao longo dos anos, lutou e luta para não se tornar mesquinho e amargo, mas ao invés deixar-se ampliar, diariamente, pelo amor de Deus e do seu povo; um coração que o tempo, como sucede com o bom vinho, não azedou, mas dotou-o duma qualidade sempre mais requintada; porque «é eterna a sua misericórdia». (Carta aos Sacerdotes, Papa Francisco).


À materna intercessão de Nossa Senhora, Mãe e Rainha dos Sacerdotes, entregamos cada Sacerdote da Igreja, em especial os da nossa Diocese. Sintam-se amados e abraçados, em Cristo. Parabéns!


Pe. Francisco Tiery Santos Andrade, ICMS

Vigário a paróquia Coração Imaculado de Maria