Quem ama...



Em nosso meio, há um ditado que diz: "Quem ama cuida": e isto é verdade! O que Maria Madalena foi fazer logo cedo no sepulcro do Senhor, "bem de madrugada, quando ainda estava escuro" (Jo 20,1)? Cremos que ela tenha ido chorar Jesus; ou, quem sabe, tenha ido para zelar algo. Mas, é certo que a Madalena foi apressada para, de alguma forma, velar, cuidar.


Por analogia, podemos ainda completar a afirmação de que quem ama cuida e se preocupa. Percebendo aquela, a quem Jesus mudou a vida, que a pedra do sepulcro havia sido violada, correu atrás dos Apóstolos Pedro e João e reclamou-lhes: "Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram" (Jo 20,2). Noutra passagem, vemos que ela chegou a falar em roubo do Santíssimo Corpo de Nosso Senhor (cf. Jo 20,11-18), e, mesmo sem saber que falava com o Amado da sua alma, pensando que era o jardineiro, acusou-lhe de tal sumiço.


Quem ama não mede esforços para buscar o objeto do seu amor. A Madalena, ao reclamar do desaparecimento do Corpo de Jesus, fez com que Pedro e João corressem atrás, e – quem sabe?! – se excedessem às suas limitações físicas (como era o caso de Pedro, o mais velho) para reaver o que tinham por precioso, por estimado. Mas, também João, o mais moço, não mediu esforços e, indo mais rápido do que Pedro, chegou primeiro ao túmulo.


Quem ama conhece o Amado e acredita no que este revelou ao coração, tendo-o por certo. Percebemos que João, o primeiro da chegada ao sepulcro, viu que os lençóis mortuários lá estavam enrolados, mas não entrou na caverna, esperando o primeiro em importância, Pedro, chegar; é este quem tem a primazia para a constatação final, para afirmarem, pela visão e pela fé, que o Cristo ressuscitou.


Noutra passagem, temos já pronta a afirmação da Madalena sobre a ressurreição, quando diz: "Eu vi o Senhor!" (Jo 20,18). Não é por acaso que o Papa Francisco, percebendo a sua atenção e tensão, cognominou-lhe 'Apóstola', pois foi ela a primeira a anunciar aos Doze a informação do Ressuscitado, que lhe incumbiu tal recado. Porém, no Evangelho que a Igreja proclama na manhã radiosa de Páscoa (cf. Jo 20,1-9), a ênfase é diferente: pois o acento é posto, em primeiro lugar, na fé de Pedro, como fé de toda a Igreja, porque é ela, a Esposa de Cristo, a "Senhora Católica", quem primeiro ama, cuida, preocupa-se, busca e acredita Nele. E, a partir destas atitudes primárias da Igreja, nós, seus filhos, deveremos fazer a nossa parte, buscando uma excelência em amar, cuidar, preocupar-se, buscar e acreditar cada vez mais em Jesus Cristo, o Ressuscitado.


Com o anúncio da Madalena, digo: quem ama testemunha. E isto nos tem muito a dizer, pois nós, no mundo onde estamos, com o nosso testemunho cristão, devemos ser garantia de credibilidade acerca da veracidade da ressurreição do Senhor; nós, que comemos e bebemos, não apenas com Jesus, mas, sobretudo, comemos e bebemos Jesus, no mistério pascal de Sua Eucaristia. De maneira que, se alguém nos perguntar: "Como posso ter certeza de que Cristo ressuscitou?". Basta que lhe digamos: "Olha para mim! Jesus manifestou-Se a mim. Nesta manifestação, eu O experimentei e O senti. De maneira que esta experiência a tenho sempre comigo e a renovo quando, para mim, o Ressuscitado faz-Se alimento para, não apenas me saciar, como também para me ressuscitar, dia a dia, até aquela ressurreição plena de vida eterna".


Aquele que assim vive e age, fazendo valer a sua fé em diversos sentimentos para com o próprio Senhor, naturalmente, cumpre o mandato missionário que Jesus nos impôs de sermos as Suas testemunhas para o povo e para o mundo envoltos na mortalha do medo e da falta de esperança, das trevas do pecado e da morte. Seja nossa constante o feliz anúncio pascal. Desejo-lhe, cordialmente, feliz e santa Páscoa!


Padre Everson Fontes Fonseca, Vigário Paroquial da Paróquia São João Batista (Conjunto João Alves)