São José de Anchieta – O Apóstolo do Brasil

Pe. Cássio S. Souza


“É precisamente o que eu faço; para mim, escolhi a melhor parte, ou seja, o bom Deus”.


Nosso Senhor Jesus Cristo, Autor e Consumador de nossa Fé, por meio do qual todo dom perfeito desce do Pai das Luzes, é o Princípio e a Fonte de tudo quanto há de Grande e Santo na Igreja. Ele é a causa e o meio de todo bem sobrenatural, o modelo dos que querem ser perfeitos. É de Jesus Crucificado, e do seu Sangue precioso que Ordens e Congregações Religiosas, por meios diferentes nasceram e tendem à Perfeição, e de formas diversas reproduzem o divino exemplo.


A Santidade não pode ser subestimada em relação à vida mais ativa e movimentada. Pois contemplação e ação são sublimes “élans” dos santos jesuítas, entre eles, Padre José de Anchieta. Homem incomparável que soube conjugar uma vida ativa com a mais sublime contemplação. Sua longa carreira foi uma oração permanente e um milagre contínuo.


Viveu tão próximo de nós, que recorda os grandes taumaturgos dos primeiros tempos da Igreja. Milagres? Era-lhes familiar. Quando ocorria, notava-se a sua simplicidade. Que diga os miraculados de nossos Séculos XX e XXI! A realização de milagres, por intermédio de São José de Anchieta, acontecera não somente para converter almas ou consolidá-las no bem, não somente para aliviar ou curar os corpos, mas para proteger inocentes jogos de neófitos.


Foi discípulo e continuador do Padre Manuel da Nóbrega. Por desígnio da Providência, teve a felicidade de ser formado por um santo e de formar, por sua vez outro santo: o Padre João de Almeida.


Muitos fatos extraordinários da vida de São José de Anchieta são desconhecidos da maioria dos brasileiros. Estigmas cruéis foram incorporados a uma biografia deturpada na educação do nosso País de um homem religioso, humilde e santo, na visão dos que julgam a História do passado com o olhar ideológico do presente, demonizam a Santidade dos Homens da Igreja que foram e são fiéis a Deus.


Entre esses fatos extraordinários, convém narrar agora uma conversão miraculosa verdadeira, que o Santo obteve logo nos primeiros anos de seu ministério apostólico. Desta, o Senhor deu um penhor antecipado das numerosas e extraordinárias conversões que no futuro viria a obter e que estão relatados na sua fiel biografia.


Certo dia, na sua procura por almas, em meio a rochedos e precipícios, o santo deparou-se com um índio muito velho, apresentando ter mais de cem anos de idade, magérrimo e mais morto que vivo. Saudou amavelmente o velho índio, e depois de ter-lhe falado de vários assuntos, fez cair de modo e palavras jeitosas a conversa sobre as coisas do Céu, mostrando-lhe com a energia costumeira a necessidade de reconhecer um único Deus Criador do Universo, e falando-lhe da imortalidade da alma, das recompensas eternas preparadas para os bons e das penas eternas reservadas para os maus, da redenção da humanidade e dos principais mistérios de nossa Fé.


O velho índio, ouvindo aquelas coisas novas, ficou maravilhado. Visivelmente tocado pela graça de Deus e contentíssimo foi em busca da mulher e dos filhos, partilhando com eles o bem que acabava de encontrar. Convencidos da veracidade dos dogmas cristãos, pediram todos instantemente o Batismo. O Padre Anchieta conduziu-os à Igreja da aldeia mais próxima, onde foram acolhidos com aclamações de alegria. O mais ardoroso foi o bom velho índio. Depois de regenerado pelas águas do Batismo, declarava, como outro Simeão, não querer sair do local e não ser para subir ao Céu. O Senhor não tardou em atender a seu piedoso desejo, pois o índio morreu dias depois, sem ter perdido a inocência batismal.


Essa era a capacidade que tinha o Padre, hoje Santo, José de Anchieta para conquistar os corações logo ao primeiro contato, um dom gratuito de Deus. Mas além desse dom divino, possuía uma sólida doutrina, eloquência natural e persuasiva, que marcava profundamente as pessoas que o ouviam.


O Padre morreu em 9 de junho de 1597, pronunciando os santíssimos Nomes de Jesus e Maria, e unindo-se em espírito às orações dos agonizantes que eram recitados junto a seu leito. Tinha então 63 anos de idade, 44 dos quais passados em nosso Brasil, na atividade missionária.


Peçamos a sua gloriosa intercessão, com especial intenção aos Sacerdotes do nosso País, que a exemplo deste Santo Taumaturgo, busquemos almas para Deus na coragem de enfrentar os “rochedos e precipícios” que a “pandemia ocasionou de modo especial sobre a Igreja” e com capacidade evangélica e sólida doutrina que vai além das Redes Sociais, possamos ir ao encontro dos que “envelheceram” pelo medo e o pânico estacionando-os em suas residências, na acomodação religiosa, imposta pelo “novo normal”.


São Jose de Anchieta, Rogai por Nós!

Pe. Cássio S Souza é pároco da Paróquia São José de Anchieta (Conjunto Augusto Franco, Aracaju).

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