Tempo de recomeçar, de acolher a proposta semeada e encarnada por Jesus

Paulo Almeida Machado Júnior


Tempo de despertar sentimentos de família, de amor, de solidariedade e até, de fraternidade universal...


Tempo, também, de despertar questionamentos: decorridos mais de 2000 anos do nascimento de Jesus e da sua proposta de amor, como vislumbrar sua concretude em nossa realidade?


O Reino que deveria imperar, para além dos governos formais – que devem ser contaminados pelo primeiro, seria multiplicado e testemunhado por cada cristão que, com sua vida, lutaria pela verdade, justiça, dignidade de todos, propostos no projeto de Deus aos homens. E o mundo se renderia ao amor.....


Ser sal da terra e luz do mundo, implica em uma ação criadora, resistente e até combatente. Mas, não é fácil se contrapor às propostas do mundo individualista e mercadológico em que vivemos. Esta atitude gera problemas para nossa vida e comodidade....


Dessa forma, muitas vezes, acolhemos, na prática, “sobreviver”. Vedar os olhos para não observar os irmãos que gritam porque têm fome de comida, de igualdade, de oportunidade, de saúde... Fechamos os olhos para as causas que geram essas atrocidades, para os comandos e poderes que escolhem desmatar, queimar, dizimar animais e nativos das florestas.... nos encolhemos para não resistir aos brados raivosos de poderes e governantes que agem contra nossos irmãos negros, homossexuais, prostitutas, presos, preferindo adotar o discurso de responsabilização dos mesmos: eles “escolheram”.... Desviamos nosso olhar para as grandes negociatas que são feitas, cotidianamente, fortalecendo os bancos, não cobrando impostos dos milionários, das empresas....negociatas que oneram os pobres e retira-lhes direitos.


E até, adotamos atitudes semelhantes. Convidamos irmãos vulneráveis e empobrecidos para se desconectar do mundo real e entrar na religião.... neste local, ele poderá rezar, gritar, pedir, ser ouvido e será orientado a se conformar e a pagar o “dízimo”...aí, talvez, o milagre aconteça....A atitude que se inculte ao cristão é meramente espiritual. A preocupação do cristão deve ser meramente pessoal ou, no máximo, familiar. A igreja que integra não lhe pertence, como também o destino dos seus recursos que, a tanto custo, retirou do seu salário. O mundo, seu destino e o da humanidade não lhe pertence....


Este modelo de religião enriquece as Igrejas, fortalece o sistema econômico /político, esvazia a proposta amorosa de Deus em nome de Deus, confunde e retira a esperança do povo – novamente expropriado pelo “poder romano e religioso” combatido por Jesus e que causou sua morte.


Como, então, vamos felicitar a vinda deste menino, profetizado como Salvador e Libertador?


Como dizer a Ele que é bem-vindo enquanto Deus místico, mas sua proposta não... que também adoramos a outros deuses e não somos capazes de amar ou conceber um mundo fraterno e amoroso, para todos?....


Mas, é NATAL... tempo de recomeçar, de acolher a proposta semeada e encarnada pelo Filho de Deus, de manter a esperança e Jesus em nosso meio para então aceitar o convite formulado pelo Papa Francisco de construir uma forma de vida com sabor do Evangelho.


Paulo Almeida Machado Júnior é presidente do Conselho Nacional do Laicato (Conal), na Arquidiocese de Aracaju


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