Teologia da prosperidade e as bem-aventuranças



As Bem-Aventuranças constituem o cerne do Evangelho, o coração dos Ensinamentos de Jesus.


A chamada “Teologia da Prosperidade” são o oposto das Bem-aventuranças. Vejamos em síntese:


1. Em que consiste a Teologia da Prosperidade fundamentalmente?


Consiste em buscar a Deus para “ter”. Sim, ter coisas, dinheiro, prestígio, palco, fama, etc. Ir à missa ou ao culto para “Deus ajudar”, por exemplo, aparentemente é um pensamento bom e saudável, mas ao fundo está embutida a ideia de “interesse”, o ego próprio... Não o buscar a Deus por Deus, o sentimento de gratidão acima de tudo. Diante dessa ideia, pode-se deduzir o contrário: se for à missa ou ao culto e Deus não der o que se pretende, deixa-se de ir!


Assim depreendem-se tantas outras coisas, como: dar o Dízimo em busca de retorno, fazer caridade para ir pro céu, orar para conseguir vantagens. Chega-se até à expressão mais abominável: quanto maior for à oferta, maior será a benção. Quando Jesus elogia o “óbolo da viúva”, com sua reta e sincera intenção (cfr. Mc 12, 41-44).


Em algumas passagens bíblicas, encontramos aparentes fundamentos da Teologia da Prosperidade, veja:


- Saduceus (Lc 20, 27-40)

- João 10, 10

- Fl 4,19

- Tantas outras...


Nos anos sessenta e setenta, o pastor Kenneth Hagin, no contexto do pós-segunda guerra, praticamente cunhou a Teologia da Prosperidade. Perante o sofrimento que vai da pobreza material à pobreza existencial, esta Teologia se torna cada vez mias atraente e compensatória.


O conteúdo das Bem-Aventuranças é o oposto à mentalidade da Teologia da Prosperidade. Buscar a Deus para “ser” e não para ter! Ser melhor discípulo de Jesus; ser “livre” em ralação a si mesmo, aos bens e às pessoas; livre interiormente para não cair na idolatria, usar os bem materiais, o dinheiro ... amar as pessoas e a si mesmo, sem se tornar escravo, avarento e soberbo. Portanto, não é cair na hipocrisia de condenar o dinheiro, os bens, menosprezar a si próprio e aos outros, mas, no auto-domínio, relativizando tudo ao Bem Absoluto que é somente Deus. É coerência total com o primeiro mandamento!


Vale observar que são Mateus diz: “felizes os pobres em espirito” (Mt 5, 3), ao passo que são Lucas diz: “felizes os pobres” (Lc 6, 20). Lucas não mencionou “no espirito”, mas apenas “pobres”. Isto ajuda a dirimir quaisquer interpretações ambíguas, espiritualistas ou etéreas. Trata-se da “pessoa livre” por inteira, como o próprio Jesus sempre o foi. Claro que “livre no espirito” também indica livre de coração, em todo “ser”, o que não se contrapõe a Lucas, mas pode justificar tendências dualistas, que separam o espírito das demais dimensões da pessoa, levando a uma prática religiosa sectária.


Note ainda o que afirma o apóstolo São Paulo: “se é para esta vida que pusemos a nossa esperança em Cristo, nós somos - de todos os homens - os mais dignos de compaixão (1Cor 15, 19). Aqui dispensa-se comentários em ralação à tal “Teologia da Prosperidade”.


Pe. Manoel Barbosa é pároco da paróquia São Pedro e São Paulo (Bairro 13 de Julho, Aracaju).