"Todos Vós sois um em Cristo Jesus" (Gal 3,28d)



Durante setembro, a Igreja nos indica, a cada ano, um livro bíblico, como mote para a vivência da Palavra de Deus, uma vez que, no Brasil, o nono mês é dedicado às Sagradas Escrituras, tendo seu ápice, no dia de São Jerônimo, tradutor da Bíblia Hebraica para a versão popular, denominada Vulgata.


Neste mês, a Carta aos Gálatas tem sua vez de ser estudada, refletida, compreendida e vivenciada pelas diversas comunidades eclesiais, devendo gerar forte testemunho de unidade entre os cristãos. E é bem sugestiva a indicação, posto que a Galácia era uma região de intensos conflitos, divisões internas e externas. Também, no atual contexto brasileiro, em que os ânimos se acirram e se polarizam, dentro de uma radicalidade insana e descomunal, é tarefa de todos nós, cristãos conscientes, buscar a unidade e a comunhão profunda.


A opção político-partidária não pode ser maior do que a força cristocêntrica da comunhão e da solidariedade entre as pessoas. Um programa de governo não pode suplantar o desejo ardente de nós unir a Cristo, Senhor e Pastor de todos, que prima pela comunhão e pela unidade tão queridas por Ele próprio. "Para que todos sejam um, como tu e eu somos um"(Jo 17,21).


A comunidade dos Gálatas, imersa em sua problemática, foi chamada por Paulo à tarefa de se refazer pela unidade e pela comunhão em Cristo. Ante às discordâncias existentes, à beira de causar divisões insanáveis, o caminho foi o de ter como referência maior a pessoa e os gestos de Jesus Cristo crucificado e ressuscitado.


Insertos num contexto de discordâncias extremadas, com intolerância e radicalidade de ânimos, movidos por certa vontade de eliminação de quem se contrapõe, o melhor é mesmo ter Jesus como modelo e guia, que nos conclama à conversão urgente e ao desejo de construir um mundo unido.


É a proposta bíblica que, novamente, nos convoca à comunhão, embora, com divergência de ideias. A pluralidade é também fruto da criação, a Obra de Deus. Pensar diferentemente não significa provocar o mal ou construir inimizades. É enriquecedor o debate de ideias, o confronto de pensamentos que conduz ao diálogo e ao mútuo respeito.


Sendo assim, a proposta deste mês é a de que, escravos ou livres, todos nos tornemos em Cristo um só corpo e uma só alma, um rebanho unido e coeso, em torno da plena Comunhão e da unidade trinitária. Que a leitura da Palavra de Deus continue a nos motivar à vivência de uma fé sólida, madura e equilibrada, para produzir os frutos que o Espírito Santo suscitar em nossas comunidades.


Dom Frei João José Costa, O.Carm, Arcebispo Metropoltano de Aracaju.