• Pe. João Claudio

Um caminho de comunhão rumo ao Sacramento da Eucaristia



As dificuldades das lacunas históricas que marcam a caminhada do mundo e da Igreja não podem reduzir o brilho e a intensidade da fé e da vida de comunhão. A comunhão é outro nome dado ao sacramento da Eucaristia. Trata-se de um encontro extraordinário e transformador entre a pobreza humana e a riqueza de Deus. Na Eucaristia, sacramento da Comunhão, o coração de Jesus diviniza o coração humano. Quando os cientistas analisaram o tecido da carne do milagre de Lanciano, na Itália, identificaram que se tratava de um tecido do miocárdio ou seja, na Eucaristia cada pessoa humana se nutre do próprio coração de Jesus.


A Eucaristia é o modo extraordinário de permanecer em comunhão com Jesus, mas é preciso lembrar que existem outros passos de comunhão com Jesus que não podem ser esquecidos, sobretudo neste tempo de pandemia causada pelo coronavírus que já ceifou a vida de mais de sessenta mil pessoas somente aqui no Brasil. Estes caminhos de comunhão com Jesus devem ser percorridos pois preparam para o momento sublime da comunhão no sacramento da Eucaristia. Os modos de comunhão com Jesus são os passos que levam ao sacramento da Eucaristia, um coração preparado para acolher as graças concedidas por Jesus.


O primeiro passo de comunhão com Jesus reside na escuta orante da Palavra. No Evangelho de S. João, Jesus afirma que: Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna” (5, 24). Em outros termos, a pessoa que escuta a Palavra diariamente está nesta vida nova trazida por Jesus, está num processo de conversão diária do coração, pois a Palavra se torna bússola que guia os passos e coloca a vida nas rotas de comunhão com Deus e com os irmãos. A palavra Eucaristia significa ação de graças, de modo que toda vida conduzida pela Palavra é uma ação de graças, agradável aos olhos de Deus.


O segundo passo de comunhão com Jesus reside na bela prática da oração pessoal. Para os santos místicos a oração é o respiro da alma, sendo assim a vida espiritual está relacionada estreitamente com a oração, que é espaço de comunhão com Deus e com os irmãos. Durante a oração, o coração se abre e se coloca inteiramente nas mãos de Deus, que também se faz presente neste coração orante que o busca para partilhar todos os momentos da própria vida. No Evangelho, Jesus aponta este momento de comunhão do seguinte modo: “Quando rezar, entre em seu quarto, feche a porta e reze a seu Pai que está em segredo. Seu Pai, que vê no segredo, recompensará você” (Mateus 6, 6).


O terceiro passo de comunhão com Jesus é um bom exame de consciência. É salutar que na escuta orante da Palavra de Deus haja sempre um momento reservado para examinar o coração, sem cobrir-se com tantas desculpas, mas reconhecendo-se necessitado da misericórdia de Deus. Reconhecer o pecado é um passo decisivo para a vida da graça. Na parábola do Pai misericordioso, é possível identificar este momento na trajetória feita pelo filho mais novo, que deixa a Casa do Pai. O Evangelho retrata esta experiência do seguinte modo: “Levantar-me-ei e irei a meu pai, e dir-lhe-ei: Meu pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados. Levantou-se, pois, e foi ter com seu pai. Estava ainda longe, quando seu pai o viu e, movido de compaixão, correu-lhe ao encontro, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou” (Lucas 15, 18-20).


O quarto passo de comunhão com Jesus é a própria relação filial com Maria. A mulher do Sim pleno e total a Deus encoraja cada coração a colocar-se nas mãos de Jesus com toda confiança. O trecho das Bodas de Caná é um marco desta relação da missão de Jesus com a oração maternal de Maria que pede: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (João 2,5). Toda autêntica devoção mariana é portanto, cristocêntrica, ou seja, é apelo de comunhão com Cristo que se faz humano no coração de Maria, a Imaculada Conceição. Com a récita do Terço, o coração se abre aos mistérios divinos contemplados, acolhe o perdão, canta o Magnificat com a Mãe Maria, louvando a Deus por suas infinitas maravilhas.


Há ainda um passo para considerar, mesmo sabendo que estão interligados, ou seja, há sempre algo de um passo anterior naquele sucessivo e vice-versa, pois são passos ou etapas de um mesmo caminho de comunhão com Jesus e com os irmãos. Trata-se do mandamento novo trazido por Jesus na Palavra. Um mandamento exigente, apontado por Jesus como síntese de todo projeto redentor. O mandamento novo contido no Evangelho diz que é preciso: “Amar o Senhor Deus com todo o coração, com toda a alma e com toda a mente. Amar o próximo como a si mesmo”. (Mt 22, 37.39) Há um versículo na Carta de João que desafia todo coração cristão. Este versículo diz que “Deus é Amor: quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus permanece nele”, por isso, quem ama vive esta bela comunhão com Deus e com os irmãos. (1 João 4, 16)


É sempre importante respeitar os passos para não provocar acidentes, e isto serve também para a vida espiritual. Sem passar pela Palavra, pela Oração, o Exame de Consciência, a récita do Terço e o empenho diário de amar a Deus e os irmãos, não é possível aproximar-se da Eucaristia como Jesus deseja, e o pior, sem estes passos o coração está buscando a Eucaristia sem comunhão com Deus e com os irmãos. Em outras palavras, sem estes passos o coração que se aproxima da Eucaristia recebe Jesus de um modo artificial, impedindo-o de realizar os projetos de salvação em cada vida. Se por enquanto o coração está atravessando o deserto sem a Eucaristia, deve portanto, permanecer em comunhão com Jesus, para partilhar o pão da oração e os tesouros das graças divinas, ao longo desta peregrinação guiada pela luz da Ressurreição de Jesus.


Pe. João Claudio da Conceição é pároco da paróquia Nossa Senhora Aparecida (Bairro Farolândia, Aracaju)

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