Uma cultura da alegria



Através do diálogo frutífero a fé cristã e as instâncias culturais enriquecem o ser humano. O cristianismo promove a defesa da vida, portanto a fé em Cristo mobiliza esforços em prol da tutela da vida em todas as suas faces, no surgimento, no desenvolvimento e no sucumbir deste grandioso mistério. A vida é tão central para o cristianismo, que o próprio Cristo diz no Evangelho: Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância (Jo. 10,10). A cultura, fé e religiosidade, colaboram com a intensidade do dom da vida.


Existem traços da Palavra de Jesus nas expressões culturais do cotidiano. A Igreja usa o termo sementes do Verbo, convidando a enxergar o que há de bom, belo e verdadeiro nos tecidos culturais. O período junino é um traço marcante da cultura nordestina, um dos elementos trazidos pelos europeus e enriquecido aqui no Brasil pela vitalidade dos povos indígenas e africanos.


A alegria é a característica que entrelaça os santos juninos. João Batista salta de alegria no ventre de Isabel, quando percebe a visita de Jesus no ventre de Maria. Pedro se alegra diante do milagre de Pentecostes, ao ver a Palavra de Jesus sendo acolhida por pessoas das mais variadas culturas. Paulo se alegra diante das tribulações enfrentadas, anunciando a Palavra nas comunidades. E ainda, o jovem Antônio experimenta a alegria da Palavra, ao deixar o seu país, para seguir Jesus Cristo através das pegadas deixadas por Francisco de Assis (Lucas 1, 44; Atos 2, 14-18; Romanos 8, 35-39).


Eis o legado deixado pelos santos festejados no mês de junho, mostrar que a Palavra não é um fardo, ao contrário, é fonte da verdadeira alegria. Mesmo em momentos históricos distintos, os santos juninos mostram que a Palavra é o único alimento capaz de saciar as fomes existenciais, de fraternidade, de paz. A Palavra combate todo coração desumano, arrogante, que olha apenas para si.


Há uma canção junina que diz: Olha pro céu, meu amor. A Palavra de Jesus coloca diante da realidade contida em tal expressão. A Palavra é a memória do amor infinito de Jesus. É um verdadeiro apelo para amá-Lo acima de todas as coisas, e também ao próximo como somos amados por Jesus.


A Palavra é convite para buscar as coisas do alto, aponta para o céu, e deseja a construção do céu aqui na terra, como Jesus reza na oração do Pai nosso. Cada vez que partilhamos o pão, construímos o céu ao lado de Jesus. Há muita gente guardando o pão apenas para si. Com Jesus, não há ganância, mas sim partilha, nem acúmulo desmedido, mas a correta distribuição de renda entre as pessoas vulneráveis de todas as sociedades (Col. 3, 1).


Jesus, pão vivo e partilhado, pergunta: Qual o pão que estamos guardando? Com a Mãe Aparecida, rezemos: Quero partilhar o pão da vida e da alegria.


Pe. João Claudio é pároco da paróquia Nossa Senhora Aparecida (Farolândia).