Vale sempre recordar: fomos curados para curar; libertados para libertar


Com a recordação do que a Igreja, no último Domingo, o Vigésimo Terceiro do Tempo Comum, nos ensinou com a sua Liturgia, desejo chamar-lhe a atenção para o verbo “curar”, tão caro aos evangelhos e à humanidade.

Na Língua Portuguesa, este termo possui um duplo significado: pode ser sinônimo de “sanar”, de “sarar”; como pode designar ainda “cuidar”. Assim, quando vemos no Evangelho alguma cura do Senhor, os dois sentidos de curar se fazem latentes. Porém, o seu sentido extremo estará quando, morrendo na Cruz por nós para nos libertar, o Senhor nos sara, sana-nos na amizade com Deus, cuida de nós de maneira única (cf. Cl 1,20; Ef 2,13-16).

E o que Ele os pede? Espera de nós uma resposta de amor, segundo a potência do nosso coração: um amor a Ele sobre todas as coisas (cf. Dt 6,5) e aos nossos semelhantes, o próximo (cf. Lv 19,18; Lc 10,25-37; Mc 12,28-33; Mt 22,34-40). Quer que, curados, curemos; libertados, libertemos, a fim de que a Sua Graça não nos seja concedida em vão. Se não fizermos a experiência do amor, tal como o surdo-mudo a provou (cf. Mc 7,31-37), afastando-se com Jesus da multidão, a sós, na intimidade com Ele, tampouco, por não O ouvirmos, seremos capazes de comunicar este amor, isso por causa de um coração que, impenetrável, é, também, inerte à sua linguagem, que a nós foi dirigida de sobremaneira.

Ao que nos parece, a comunidade de São Tiago (cf. Tg 2,1-5) igualmente teve dificuldades de, curada, curar; libertada, libertar. E isto porque não viviam aqueles cristãos um amor gratuito, fazendo, assim, acepção de pessoas, catalogando-as pela ostentação de suas aparências e pelas posses; diferenciava o tratamento entre os fiéis, seccionando-os entre ricos e pobres. Em reprimenda a tão horrenda prática, belíssimas serão as palavras do Apóstolo: “Meus queridos irmãos, escutai: não escolheu Deus os pobres deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu aos que o amam?” (Tg 2,5). Esta mesma realidade cantou a Santíssima Virgem Maria no seu Magnificat: [O Senhor] “derrubou os poderosos de seus tronos e elevou os humildes; saciou de bens os famintos e despediu sem nada os ricos” (Lc 1,52). Ou o exposto pelo Profeta Isaías que, ao lado dos sinais da libertação que chegaria, figura os “mínimos”: “Então se abrirão os olhos do cego. E se desimpedirão os ouvidos dos surdos; então o coxo saltará como um cervo, e a língua do mudo dará gritos alegres” (cf. Is 35,5-6).

Há muita gente exteriormente pobre, mas rica de coração; como há muitas pessoas ricas de bens, porém, de coração simples, humilde. Sejamos certos de que a riqueza e a pobreza que contarão diante de Deus é a do nosso interior, tendo em vista que sempre deveremos ser pobres de nós mesmos para nos deixarmos abastecer da vida do Senhor na esperança de possuirmos Céu: “Bem-aventurados os pobres em seu coração porque verão a Deus” (Mt 5,3). Enquanto posse da Plenitude não nos chega, repletos de esperança neste mundo, frutifiquemos em boas obras de justiça, de verdade, de paz, enfim de amor, que cura e liberta.

Padre Everson Fontes Fonseca é pároco da Paróquia Nossa Senhora da Conceição (Mosqueiro).

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