Você sabe como surgiu a minha vocação sacerdotal?

Pe. Tenório Fialho dos Santos


Era o ano de 1997. Tinha 15 anos de idade; de família católica. Um certo dia, um jovem chamado Francisco (bons tempos em que juntos jogávamos futebol) me convidou para participar do Grupo de Jovens: JUC (Juventude Unida Cristã) da minha Paróquia São Francisco de Borja, Piaçabuçu-AL (onde nasci 14/03/1982, cresci, fui batizado e crismado).


Francisco sempre me chamava para participar desse Grupo de Jovens, sem forçar: “Se você gostar fica, se não gostar sai. Afinal, você é livre”. Eu sempre dizia: “Um dia eu vou”, mas nunca ia. Ora, aconteceu que foi brotando no meu coração o desejo de conhecer esse Grupo de Jovens. Quem eram esses Jovens? O que esses Jovens faziam? O que eles buscavam?


Até que um dia tomei uma decisão, disse para mim mesmo: “Hoje eu vou lá nesse Grupo, quero conhecê-lo”. Fui visitá-lo. Fui bem acolhido. E a partir daquele dia mudou a minha vida. Então comecei a participar do JUC: Reuniões, Encontros, Formações, Estudo Bíblico, Passeios. Fui me apaixonando cada vez mais pela Igreja, pelas coisas de Deus que ali aprendia: Oração, Palavra de Deus, Santa Missa, etc.


Com o tempo de caminhada paroquial, fui sentindo uma inquietação no meu coração, mas não sabia o que era. No fundo, já era Deus me chamando a dar um passo a mais. Deus não queria apenas que eu fosse um “simples leigo”, MAS UM MINISTRO DELE, UM SACERDOTE, UM HOMEM DE DEUS. Comecei a rezar mais, a ler mais a Palavra de Deus, a pedir a Deus se realmente era isso mesmo ou “coisa da minha cabeça”. Sempre dizia a Deus: “SEJA FEITA A TUA VONTADE”.


Então procurei o Padre Elson, pároco da minha paróquia na época. Conversei com o padre; partilhei o estava sentindo. Ele me ouviu com paciência, caridade. Deu-me bastante conselhos e pediu que eu fizesse os Encontros Vocacionais (são encontros promovidos pelas Dioceses ou Arquidioceses, tendo à frente os Bispos, Reitores, Padres, Formadores, Psicólogos, com palestras, formações, orações, para ajudar o jovem a discernir a sua vocação).


O Padre Elson deu-me uma carta de apresentação para participar dos Encontros Vocacionais na minha Diocese de origem: Penedo-Al. Participei apenas de um Encontro Vocacional (2001) realizado no Centro de Treinamento Diocesano Dom Constantino Lüers, Arapiraca-Al. Depois perdi o interesse (não perseverei), desisti. Procurei novamente o meu pároco e manifestei o desejo de retornar aos Encontros. Ele disse-me: “Se você quiser participar, pode participar, mas não desista”. Levei isso a sério!


Assim sendo, participei dos Encontros Vocacionais (primeiro semestre todo de 2002) na minha Diocese. Nessa época tinha muitos vocacionados. Eu já tinha concluído o Ensino Médio. Nesse período resolvi visitar o meu tio (materno) Joab. Este trabalhava como vigilante no Seminário Menor Sagrado Coração de Jesus (Propedêutico), Arquidiocese de Aracaju-SE. O meu tio levou-me para conhecer o Seminário, apresentou-me ao Reitor Pe. Marcelo Lessa, e disse-lhe: “Padre, o meu sobrinho é vocacionado lá em Alagoas. Ele quer entrar no seminário, quer ser padre”. O reitor respondeu: “Que bom, seja bem-vindo. Para entrar no Seminário tem que fazer os Encontros Vocacionais realmente, ser avaliado e aprovado”. E perguntou-me: “Porque você não fica para participar dos Encontros vocacionais aqui? ” Eu respondi: “Certo, vou participar”. Quando voltei a minha cidade (Piaçabuçu-Al), procurei o padre da minha paróquia, contei o que tinha acontecido e disse que a parti daquele momento ia participar dos Encontros Vocacionais na Arquidiocese de Aracaju-SE. O mesmo desejou-me boa sorte. Fiz os Encontros Vocacionais (segundo semestre todo de 2002) nesse Seminário.


Fui percebendo realmente, sem sombra de dúvidas, que a minha vocação era ser padre. Estava convicto disso. Por isso, eu disse a Deus com toda verdade, sinceridade: “Quero CONSAGRAR a vida que Deus me concedeu ao próprio Deus como PADRE, para SERVIR A DEUS E AO PRÓXIMO. Fui aprovado (29/11/2002) para entrar no Seminário Propedêutico da Arquidiocese de Aracaju-SE, comunicando assim, a Dom Valério Breda (In memoriam), Bispo da minha Diocese de origem, o meu desligamento a Diocese.


Entrei no Seminário Menor Sagrado Coração de Jesus - Propedêutico (08/02/2003), Arquidiocese de Aracaju-SE, com apenas 20 anos de idade. Começava aqui os meus Estudos, a minha caminhada rumo ao Sacerdócio. Depois fiz Filosofia (2004-2006) e Teologia (2007-2010) no Seminário Maior Nossa Senhora da Conceição, Arquidiocese de Aracaju-SE. Foram 08 Anos de Estudos, de muita dedicação, sacrifícios, renúncias, mas tudo por amor. Nunca pensei em desistir! O senhor sempre esteve ao meu lado.


Fui Ordenado Diácono (19/06/2010) por Dom Henrique Soares da Costa (In memoriam) e Sacerdote (29/12/2020) por Dom José Palmeira Lessa (Bispo Emérito da Arquidiocese de Aracaju) para honra e glória de Deus. Mesmo com todas as minhas limitações, defeitos, SOU UM PADRE MUITO FELIZ, APAIXONADO PELAS COISAS DE DEUS, PELA IGREJA, PELO PRÓPRIO DEUS. A Santa Missa é o amor da minha vida. Que eu nunca perca o encanto pela pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo. Que eu nunca perca o amor pela Palavra de Deus, pela Eucaristia e pela Santa Mãe Igreja. Orem sempre por mim, sou um ser humano, pecador, um padre (consagrado a Deus). Amém.


Pe. Tenório Fialho dos Santos é pároco da paróquia Nossa Senhora do Amparo (Capela-SE)