Vocação à vida religiosa consagrada

Ir. Marisa Inêz Mosena


Todas as coisas têm um começo: “No princípio, Deus criou o céu e a terra” (Gn 1,1) “No princípio era o Verbo, o Verbo estava em Deus, o Verbo era Deus” (Jo 1,1). Assim, também a Vida Religiosa Consagrada teve um “princípio”. E sempre, o princípio está ligado a Deus, pois tudo começa e termina Nele! Tudo foi criado pelo Verbo (a Palavra) e nada foi criado sem Ele.

Desde o princípio da vinda de Jesus e na continuidade dos tempos, até nossos dias, nunca faltaram homens e mulheres que, atentos aos apelos de Deus, em vista da realidade social, e à moção do Espírito, escolheram este caminho de especial seguimento de Cristo, para se dedicarem a ele com exclusividade. Com os apóstolos, deixaram tudo, para estar com Cristo e colocar-se, com ele, a serviço de Deus e dos irmãos. Contribuíram assim para manifestar o mistério e a missão da Igreja, graças aos múltiplos carismas de vida espiritual e apostólica que o Espírito Santo lhes distribuía, e deste modo concorreram também para renovar a sociedade.

A vida Religiosa Consagrada, fundamenta-se no exemplo e nos ensinamentos de Jesus e é um dom de Deus à Igreja, e à humanidade, por graça do Espírito Santo. Cada religioso/a, através da profissão dos conselhos evangélicos, os traços característicos de Jesus – casto, pobre e obediente – adquirem uma típica e permanente “visibilidade” no meio do mundo, e o olhar dos fiéis é atraído para aquele mistério do Reino de Deus que já atua na história, mas aguarda a sua plena realização nos céus. (PC 1) Cada pessoa veio ao mundo com uma missão! É preciso pôr-se à escuta, para fazer a escolha certa, de como investir a própria vida, no projeto de Deus, no mundo. “Somos feitos para os outros!” (S. João Bosco)

A vida consagrada é chamada a manter acesa a lâmpada do profetismo, tornando-se um farol para aqueles que estão desorientados em alto mar, uma tocha para aqueles que andam nas trevas, uma sentinela para aqueles que não veem uma saída na vida. Ao mesmo tempo, não pode renunciar em dar voz àqueles que não a têm e exigir justiça onde não existe. Somente assim será uma vida profética, uma alternativa à cultura do descarte. No coração dos consagrados deve ecoar forte o convite do Papa Francisco: "Despertem o mundo! Sejam testemunhas de um jeito diferente de fazer, agir e viver!” Ou ainda: "Na Igreja, os religiosos são chamados a ser profetas, a dar testemunho de como Jesus viveu nesta terra e a anunciar como o Reino de Deus será na sua perfeição".

Para responder a essa vocação, terá que buscar apaixonadamente a vontade do Senhor, anunciando a Boas Nova a todos, de preferência nas periferias existenciais; buscar novos caminhos para o anúncio do Evangelho, denunciando tudo o que é contrário à vontade de Deus. Como diz o livro de Deuteronômio ao falar de Moisés, o profeta deverá guiar o povo à escuta obediente da Palavra e se conformar aos planos de Deus na história (cf. 18, 15-24).

Conhecendo a riqueza que constitui a vida consagrada, com seus diversos carismas, podemos apostar nela, pois é, com a Igreja, uma Instituição de credibilidade, embora composta por seres humanos limitados e frágeis. Eu creio firmemente que, quando Deus chama uma pessoa a segui-lo, em qualquer uma das vocações, está a lhe oferecer uma oportunidade de conversão, de purificação, de humanização e de santidade. Sinto-me privilegiada, em relação às minhas irmãs da minha família, por serem elas pessoas tão humanizadas, doadas, generosas e a mim foi dada essa graça particular para que eu me torne, como Jesus, servidora da humanidade, enquanto vou me convertendo a Ele.


De fato, uma pessoa consagrada a Deus, pela profissão dos Votos, não nasce pronta, não é santa, é simplesmente uma pessoa que, profundamente atraída por Jesus Cristo e o Reino de Deus, deixa tudo – casa, pai, mãe, irmãos, irmãos, bens, carreira, profissão, status para seguir a Jesus e dedica toda a sua vida, com seus dons e talentos, da melhor forma, honrar a Deus com sua vida e servir aos irmãos e irmãs em suas fragilidades e necessidades, conforme o carisma que Deus lhe deu.

Devo dizer que não tem felicidade maior, para uma pessoa, do que aquela de ouvir o chamado de Deus (em seu coração), acolher o chamado e decidir seguir Jesus, “até o fim” Não, não pares. É graça divina começar bem. Graça maior, persistir na caminhada certa, manter o ritmo... Mas graça das graças é não desistir. Podendo ou não podendo, caindo, embora, aos pedaços, chegar até o fim... Dom Hélder Câmara (1901-1999)

Esse é o tempo propício para refletir sobre tema de tal importância: a vocação à Vida Religiosa Consagrada. Tem razão de ser, pois num tempo de pandemia, a qual atinge a humanidade inteira de um mal invisível, letal, fatal, a vida religiosa consagrada é sinal, é serviço, é profecia, é presença de Jesus vivo e ressuscitado que continua falando, particularmente a quem sofre.

A vocação é e sempre será um dom de Deus para a Igreja e para a humanidade inteira. Ela revela o rosto de Jesus Cristo, através da multiplicidade de carismas. Cada Congregação Religiosa tem uma fundadora, uma fundadora que se sentiu atraído por Jesus, através dos sofrimentos e necessidades particulares de pessoas, de um povo. A fundadora da nossa Congregação – das Irmãs Ministras dos Enfermos de São Camilo, percebeu quantos doentes abandonados nos porões, até estrebarias, acometidos pela cólera e outras doenças, ou idosos doentes e sozinhos. Neles ela encontrou Jesus, inspirada pelas palavras do Evangelho: “Tudo o que fizerdes ao menor destes meus irmãos é a mim que fazes!” (Mt 25,40)

Assim, cada Fundador/a também viu, ouviu e sentiu compaixão. Mas para manter-se fiel à vocação, os/as religiosos/as tem fontes de espiritualidade próprias, em suas congregações: a Lectio Divina, a Liturgia Eucarística, a Liturgia das Horas, as orações devocionais comunitárias, a Devoção à Nossa Senhora mediante a récita do terço, comunitária, longo tempo de intimidade com Jesus, na oração pessoal diária. A oração é o cultivo mais íntimo, intenso e puro do amor a Jesus Cristo e à vocação para a qual a pessoa foi chamada. E vão, fortalecidos pela oração, pela Palavra, pela vida fraterna e pela Eucaristia, servir a todos e todas as pessoas que precisam de uma escuta, de uma palavra, de um cuidado.

Concluo convocando toda comunidade Eclesial para a oração, em atenção ao mandato de Jesus: “A messe é grande e poucos são os operários, pedi, pois, ao Senhor da Messe que envie operários à sua Messe. (Lc 10,1-9) “Por isso, a promoção das vocações sacerdotais, religiosas... há de ser uma prioridade dos bispos e um compromisso de todo o povo de Deus” (Doc. de S. Documento nº 82). Lembro aos jovens as sábias palavras de São João Paulo II: “Jovem! Não tenha medo de trocar muitos bens da terra, por um tesouro no céu!”

Convido os jovens e as jovens a conhecer, mais de perto a Vida Religiosa Consagrada, fazendo experiência, naquela Congregação que faz brilhar seus olhos e bater mais forte o seu coração. Já são sinais para um começo de discernimento vocacional. Siga a voz do seu coração, pois é nele, que Jesus lhe fala com carinho e lhe sussurra o caminho a seguir, para dar sentido à sua vida. Acredite! E aposte em Jesus de Nazaré!

Ir. Marisa Inêz Mosena - Religiosa há 40 anos - Irmã Ministra dos Enfermos de São Camilo – “camiliana”, Assistente Social, Especialista em Bioética e Pastoral da Saúde, preside o Oratório Festivo São João Bosco “Oratório de Bebé”. E-mail: marisainezmosena2@gmail.com Face book Marisa Inêz Mosena - Instagram: oratoriodebebe.

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